Apresentação e Debate do Vídeo “A Guerra dos Portos”

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O Sindicato dos Estivadores organiza amanhã, Quarta-Feira, às 18h00, na sua sede (Rua do Alecrim, nº25, 1ºAndar), um debate a partir da visualização do vídeo “A Guerra dos Portos”. – Evento no Facebook

A sessão é gratuita, aberta a todos os interessados e contará com a presença de António Mariano, Presidente do Sindicato.

“A guerra dos Portos” é o resultado de uma recolha de entrevistas a vários estivadores europeus sobre o movimento internacional de solidariedade com o porto de Lisboa, que lutavam pela renegociação do contrato colectivo de trabalho e pela reintegração de 47 estivadores despedidos ilegalmente.

Apresentação em português:
http://5dias.wordpress.com/2014/04/07/a-guerra-dos-portos-the-war-of-ports/

Apresentação em Inglês, Francês e Castelhano:
http://5dias.wordpress.com/2014/04/09/a-guerra-dos-portos-the-war-of-the-ports-la-guerre-des-ports-la-guerra-de-los-puertos/

Open Letter To The Prime Minister

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Listen, Passos…

Listen, Passos… my name is António Mariano, I’m Portuguese for 55 years, dockworker for 35 and a union representative for 18. We were both elected to represent a particular universe, in my case in direct elections, in yours in indirect, as you have been chosen by a majority of the MPs elected for the Portuguese Parliament.

I represent nearly 400 dockworkers that choose my team to lead our centennial class association, created in 1896, in order to represent our individual and collective interests, as well as that of those who, in the future, will play this profession of passionate risk. You represent further than 10 million citizens of Portugal, in which dockworkers are included. Everything else is a sea of conflicts which divide us, so different are the models of society and the values we stand for.

Starting from the values on which you base your formation, I emphasize the Lie which you embody, which you so well cultivate, which crosses throughout your existence. I look at your example and I find myself thinking how would I be able to remain in the role for which I was elected if I were constantly lying to my associates, telling them one day the opposite of what I had stated the day before, failing to keep with the celestial-music-promises of the last electoral campaign.

I can speculate about the tremendous guilty conscience problems which would assault me, unless I was serving opposite interests to those who elected me, if I had sold myself out. Fortunately the dockworkers would never allow me such a behaviour and, at least, they would have shown me the exit door.

You keep yourself grab to power but I imagine you’ll have sounding reasons to do so, taking into account your gurus, counsellors and the rest of the gang surrounding you. It were those bad influences, allied to the economic groups which sponsor you while dominating the port sector, which led to the legislative attack and to the climate of impunity in view of the repeated legal and contractual violations that we have been subject to.

As you can now verify, by the agreement which we signed on the past day February 14th with the Lisbon employers, the most significant thing we achieved was the reinstatement of the 47 dismissed dockers. That struggle of ours should be yours too, the struggle for quality jobs, with the dignity you should also recognize to the Portuguese, for real employment policies which avoided the bleeding out of our young and less young into rivers of unemployment, emigration, desperation and death.

There is not a single day when you do not talk about the effort of the Portuguese people, as there is not a single day you fail to disrespect them. We, port workers, even during a long struggle process, never failed to ensure the imports and exports which the country requires. What did you do, besides making everything more difficult? Is there a less productive Portuguese than you? Even considering that, for you, economy are the corporations, when for me it is the people. I do not know anyone who has done more to destroy the national economy, moreover in the footsteps of a predecessor of yours, accomplice of this your governance.

The fury with which you implement this ideological agenda is so radical that you are unable to see the consequences for the people’s lives. At the Port of Lisbon, for example, that is the reality I do know best, the irrationality of the ports law, which you approved against everything and everyone, led to 47 dockworkers being wrongly dismissed, when their work was crucial to ensure the best port performance. The employers have already recognized that fact and engaged to reintegrate each and every one of them, but nothing erases the pain of being for a year out of work. Do you have any idea of what that means? I know that your only concern is the performance of exportations – reality that thus you harmed – but let me tell you, your intransigence has a tremendous impact on the real lives of people. Unemployment is almost always the cause of other avatars, from divorce to depression, from giving up having children to the loss of housing, from the lack of horizons to the illusory escape of emigration.

Listen, Passos… we are sick and tired of watching the emigration of our family members, our rights, our dreams, and we will continue to fight to make you understand as soon as possible that the best for all of us is that you, your government, your bankers, are the next to leave. No one will shed a tear when you finally set sail. That trip is now the condition for people to regain hope for a better future. It will not suffice, it is true, but everything will resume at that initial day, entire and clean.

Originally published here

Carta Aberta ao Primeiro-Ministro

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Passos Escuta…

Passos escuta… o meu nome é António Mariano, tenho 55 anos de português, 35 de estivador e 18 de sindicalista. Fomos eleitos – no meu caso em eleições directas, no teu, em indirectas, foste escolhido por uma maioria dos deputados eleitos para a AR – para representarmos um determinado universo.

Represento quase 400 estivadores que escolheram a minha equipa para estar à frente da nossa centenária associação de classe, constituída em 1896, para representar os nossos interesses individuais e colectivos bem como o daqueles que no futuro irão desempenhar esta profissão de apaixonante risco. Tu representas os mais de 10 milhões de cidadãos, onde os estivadores se incluem. Tudo o resto é um mar de conflitos que nos separam, tão diferentes são os modelos de sociedade e os valores que defendemos.

Começando pelos valores em que baseias a tua formação, realço a Mentira que encarnas, que tão bem cultivas, que atravessa toda a tua existência. Olho para o teu exemplo e dou por mim a pensar como poderia continuar a desempenhar o cargo para o qual fui eleito se estivesse constantemente a mentir aos meus sócios, a dizer-lhes hoje o contrário do que lhes tinha afirmado ontem, a faltar às promessas de música celestial da última campanha eleitoral.

Posso especular sobre os tremendos problemas de consciência que me assaltariam a não ser que estivesse ao serviço de interesses opostos aos que me elegeram, se me tivesse vendido. Felizmente os estivadores nunca me iriam permitir tal comportamento e, no mínimo, já me teriam mostrado a porta de saída.

Tu manténs-te agarrado ao poder mas imagino que terás sonantes razões para isso, a avaliar pelos teus gurus, conselheiros e restante turma que te rodeia. Foram essas más influências, aliadas aos grupos económicos que te patrocinam e dominam o sector dos portos, que estiveram na origem do assalto legislativo e do clima de impunidade face às reiteradas violações legais e contratuais a que temos estado sujeitos.

Como podes agora verificar, pelo acordo que assinámos no passado dia 14 de Fevereiro com os patrões de Lisboa, aquilo que de mais significativo alcançámos foi a reintegração de 47 estivadores despedidos. Essa nossa luta deveria ser a tua, a luta por empregos de qualidade, com a dignidade que os portugueses também te deviam merecer, por políticas de emprego real que evitassem a sangria dos nossos jovens e menos jovens para rios do desemprego, emigração, desespero e morte.

Não há dia em que não fales no esforço dos portugueses, tal como não há dia em que não os desrespeites. Nós, trabalhadores portuários, mesmo durante um longo processo de luta, nunca deixámos de garantir as importações e as exportações de que o país precisa. O que fizeste tu para lá de tudo dificultar? Haverá português com pior índice de produtividade? Mesmo dando de barato que para ti a economia são as empresas quando, para mim, são as pessoas. Não conheço alguém que mais tenha destruído a economia nacional, na esteira aliás de um teu antecessor, cúmplice desta tua governança.

A fúria com que levas a cabo esta agenda ideológica é de tal maneira radical que estás incapaz de ver as consequências para a vida das pessoas. No Porto de Lisboa, por exemplo, que é a realidade que melhor conheço, a irracionalidade da lei dos portos, que aprovaste contra tudo e contra todos, levou 47 estivadores a serem indevidamente despedidos, quando o seu trabalho era crucial para garantir o melhor desempenho do porto. Os patrões já o reconheceram e comprometeram-se a reintegrar cada um deles, mas nada apaga o sofrimento de estar um ano sem trabalho. Terás ideia do que isso significa? Bem sei que só te preocupa a performance das exportações – realidade que deste modo prejudicaste – mas deixa-me dizer-te que a tua intransigência tem um tremendo impacto na vida real das pessoas. O desemprego é quase sempre a causa de outros avatares, do divórcio à depressão, de desistir de ter filhos à perda da habitação, da falta de horizontes até ao escape ilusório da emigração.

Passos escuta… estamos fartos de ver emigrar os nossos familiares, os nossos direitos, os nossos sonhos, e vamos continuar a lutar para que rapidamente entendas que o melhor para todos é que sejas tu, o teu governo, os teus banqueiros, os próximos a partir. Ninguém deixará cair uma lágrima na hora de tu zarpares. Essa viagem é hoje a condição para as pessoas voltarem a ter esperança num futuro melhor. Não bastará, é certo, mas tudo recomeçará nesse dia inicial, inteiro e limpo.

Carta escrita por António Mariano, Presidente do Sindicato dos Estivadores, Trabalhadores do Tráfego e Conferentes Marítimos do Centro e Sul de Portugal, no jornal i.

A Guerra dos Portos | The War of the Ports | La Guerre des Ports | La guerra de los Puertos

Depois de apresentado em Português, eis as versões em InglêsFrancês e Castelhano

Via International Dockworkers Council.

The War of the Ports

Here I present “The War of the Ports”, a set of interviews to ten dockworkers, union leaders, from several European countries. All were involved in the international movement in defense of the reinstatement of the workers fired in the port of Lisbon and in the fight against the institutionalization of precariousness.

Contrary to what is usual in almost all reports about the ports, this time those who speak are really those who are directly involved in port work and not any commentator on duty that always shows up on time to mystify our demands and struggles onto the eyes of public opinion.

These are some of the many European Union leaders who, from north to south, they stopped their ports for two hours, made protests against the Portuguese Embassies throughout Europe, urged vessel shipowners with worldwide dimension, in order to, into this process of international solidarity at European scale, we can catch the intentions of Portuguese employers and government.

Today, the workers sacked in 2013 in the port of Lisbon continue to be reinstated and the collective bargaining agreement (CBA) is in the process of being negotiated, but we know that there are more battles to fight, not only to ensure that the agreement signed is really fulfilled but also to open struggle frontlines in other national and European ports.

The Port of Aveiro, which currently suffers from a similar process of collective dismissal for professional dockworkers, will be the next internal target of international solidarity. Abroad, Greece, Norway, Belgium, Spain, the UK, will certainly be the priority stages for the intervention of the international dockworkers movement.

What we say here is our point of view about the war that has marked the daily life of European ports. A war that had, for now, a battle won in the port of Lisbon, but many others remain to be fought in the near future. A dispute among those that look to labour work as a cost to destroy and those who do not give up fighting for what they deserve, a job with dignity.

La Guerre des Ports

Je vous présente ” La Guerre des Ports », une série d’entrevues à dix dockers, syndicalistes, de plusieurs pays d’Europe. Tous ont été impliqués dans le mouvement international pour la défense de la réintégration des travailleurs licenciés dans le port de Lisbonne et dans la lutte contre l’institutionnalisation de la précarité.

Contrairement à ce qui est habituel dans presque tous les rapports sur les ports, cette fois ceux qui utilisent le mot sont même ceux qui sont directement impliqués dans les travaux du port et pas quelque commentateur de service qui apparaît toujours à temps pour mystifier nos revendications et les luttes devant les yeux de l’opinion publique.

Voici quelques-uns des nombreux dirigeants de l’Union européenne qui, du nord au sud, ils ont arrêté leurs ports pendant deux heures, ont a fait des protestations contre les ambassades du Portugal à travers l’Europe, a exhorté les exploitants de navires à dimension mondiale, ce processus de solidarité l’échelle européenne internationale, nous pouvons attraper les intentions des employeurs et du gouvernement portugais.

Aujourd’hui, les travailleurs licenciés en 2013 dans le port de Lisbonne continuent à être réintégrés, et la convention collective est en train d’être négocié, mais nous savons qu’il ya plus de batailles à mener, non seulement à faire en sorte que l’accord signé est bien pour accomplir mais aussi dans l’ouverture de fronts de combat dans autres ports du pays et de l’Europe.

Le port d’Aveiro, qui souffre actuellement d’un processus similaire de licenciement collectif de dockers professionnels sera la prochaine cible interne de la solidarité internationale. A l’extérieur, la Grèce, la Norvège, la Belgique, l’Espagne, le Royaume-Uni, seront certainement les étapes prioritaires de l’intervention du mouvement internationale des dockers.

Ce que nous disons ici, c’est notre point de vue sur la guerre qui a marqué la vie quotidienne des ports européens. Une guerre qui a eu, pour maintenant, une bataille gagnée dans le port de Lisbonne, mais beaucoup d’autres restent à être combattues dans un proche avenir. Un conflit entre ceux qui voient le travail comme un coût pour annihiler et ceux qui ne renonce pas à se battre pour ce qu’ils méritent, le travail avec dignité.

La guerra de los Puertos

Aquí os presentamos “La guerra de los Puertos”, un conjunto de entrevistas a diez trabajadores portuarios, dirigentes sindicales  de varios países europeos. Todos ellos participaron en el movimiento internacional en defensa de la reincorporación de los trabajadores despedidos en el puerto de Lisboa y en la lucha contra la institucionalización de la precariedad.

Contrariamente a las prácticas habituales en casi todos los informes sobre el sector portuario, esta vez los que hablan son las personas que realmente están involucradas de forma directa en la actividad portuaria y no un comentarista de turno, que siempre aparece en el momento adecuado para mistificar nuestras demandas y luchas a ojos de la opinión pública.

Estos son algunos de los muchos líderes europeos que, de Norte a Sur, pararon sus puertos durante dos horas, organizaron protestas en las embajadas portuguesas en toda Europa e instaron a navieras con dimensión mundial, con el fin de que, en este proceso de solidaridad internacional a escala europea, fuéramos capaces de revertir los planes de los empleadores y el gobierno portugués.

En la actualidad, los trabajadores despedidos en el puerto de Lisboa durante el 2013 están siendo reincorporados y el acuerdo de negociación colectiva está en proceso de ser negociado. Sin embargo, sabemos que hay más batallas por luchar, no sólo para asegurar que el acuerdo firmado se cumpla con efectividad sino también para abrir frentes de lucha en otros puertos nacionales y europeos.

El Puerto de Aveiro, que actualmente sufre un proceso similar de despido colectivo de trabajadores portuarios profesionales, será el próximo objetivo interno de la solidaridad internacional. En el extranjero, Grecia, Noruega, Bélgica, España, el Reino Unido, sin duda serán las luchas prioritarias para la intervención del movimiento de trabajadores portuarios internacional.

Lo que aquí contamos es nuestro punto de vista sobre la guerra que ha marcado la vida cotidiana de los puertos europeos. Una guerra que, por ahora, ha obtenido una victoria en la batalla del puerto de Lisboa, pero quedan muchas batallas por luchar en un futuro próximo. Es una lucha entre los que miran a la mano de obra de trabajo como un costo a destruir y los que nunca se rinden y luchan por lo que se merecen, un trabajo digno.

A Guerra dos Portos | The War of Ports

Apresento aqui “A Guerra dos Portos”, um conjunto de entrevistas a dez estivadores, sindicalistas, de vários países da Europa. Todos estiveram envolvidos no movimento internacional em defesa da reintegração dos trabalhadores despedidos no porto de Lisboa e na luta contra a institucionalização da precariedade.

Ao contrário do que é habitual em quase todas as reportagens sobre os portos, desta vez quem faz uso da palavra são mesmo aqueles que estão envolvidos directamente no trabalho portuário e não qualquer comentador de serviço que sempre aparece na hora de mistificar as nossas reivindicações e lutas aos olhos da opinião pública.

Estes são alguns dos muitos dirigentes sindicais europeus que, de Norte a Sul, pararam os seus portos durante duas horas, fizeram manifestações de protesto diante das Embaixadas de Portugal espalhadas pela Europa, pressionaram os armadores de navios com dimensão mundial para, neste processo de solidariedade internacional à escala europeia, conseguirmos travar as intenções dos patrões e do governo português.

Hoje, os trabalhadores despedidos em 2013 no porto de Lisboa continuam a ser reintegrados e o contrato colectivo de trabalho está em vias de ser negociado, mas sabemos bem que há mais batalhas a travar, não só na garantia de que o acordo assinado é mesmo para cumprir mas também na abertura de frentes de combate noutros portos do país e da Europa.

O porto de Aveiro, que sofre actualmente de um processo semelhante de despedimento colectivo de estivadores profissionais, será o próximo alvo da solidariedade internacional a nível interno. Lá fora, Grécia, Noruega, Bélgica, Espanha, Reino Unido serão certamente os palcos prioritários da intervenção do movimento internacional de estivadores.

O que aqui contamos é o nosso ponto de vista sobre a guerra que tem marcado o quotidiano dos portos europeus. Uma guerra que teve, para já, uma batalha ganha no porto de Lisboa, mas muitas outras continuam por travar nos próximos tempos. Uma disputa entre aqueles que olham para o trabalho como um custo a abater e aqueles que não abrem mão de lutar por aquilo a que têm direito, um trabalho com dignidade.

A GUERRA DOS PORTOS | THE WAR OF PORTS – [Teaser]

Capa Doc Teaser

“A guerra dos Portos” é o resultado de uma recolha de entrevistas a vários estivadores europeus sobre o movimento internacional de solidariedade com o porto de Lisboa. | “The War of Ports” is the result of a set of european dockworkers testimonials about the solidarity internacional movement with the port of Lisbon.

Camaradas da Espanha, França, Bélgica, Suécia, Dinamarca e da Noruega tomam a palavra para dar conta do seu ponto de vista relativamente às batalhas que têm sido travadas nos portos da Europa e o que tem vindo a ser feito para travar a precarização de mais este sector do trabalho.

Com este documento, procuramos partilhar com o resto do movimento de trabalhadores e com os demais movimentos sociais e populares – aliados desde a primeira hora no movimento internacional – as ideias que poucas vezes temos tido o privilégio de explicar nos meios de comunicação mais estabelecidos.

Produzido pelo Sindicato, “A Guerra dos Portos” estará disponível a partir da próxima segunda-feira.