100% de adesão à greve contra as práticas anti-sindicais

Fotografia durante a greve no Caniçal (Madeira), que, tal como em Leixões, parou pela primeira vez nos últimos trinta anos.

Os sócios do SEAL nos portos de Leixões, Figueira da Foz, Lisboa, Setúbal, Sines, Caniçal (Madeira) e Praia da Vitória (Açores) aderiram a 100% à greve convocada para as horas ímpares do período de 24 horas compreendido entre as 08 horas dos dias 10 e 11 de Julho.

Depois da primeira Assembleia Geral do SEAL que reuniu associados dos diferentes portos onde representamos trabalhadores, no passado dia 19 de Junho, depois dos plenários, a 29 de Julho, em todos os portos onde estamos representados, em solidariedade com os estivadores europeus, sobretudo em Espanha e em Gotemburgo, em luta contra as políticas da UE e a ameaça dos despedimentos promovidos pela APM Terminals, o SEAL regozija-se com os 100% de adesão dos seus sócios à jornada de luta contra práticas anti-sindicais em Leixões, Caniçal e Sines.

Desta jornada, destacam-se sobretudo as paragens no portos do Caniçal e de Leixões, pela primeira vez nos últimos trinta anos, o que representa um autêntico 25 de Abril à escala destes portos e dos estivadores que aí representamos, os quais têm sido sujeitos às mais variadas violações dos seus direitos mais elementares, seja no campo sindical, seja no campo do assédio moral permanente e contínuo a que se encontram sujeitos, práticas que denunciamos no Manifesto que está na base desta jornada de luta.

Desta jornada de solidariedade nacional, queremos realçar o episódio ocorrido no porto de Leixões, cuja autoridade portuária (APDL – Administração dos Portos do Douro e Leixões) impediu a autoridade na área laboral (ACT – Autoridade para as Condições no Trabalho) de entrar no porto, local de trabalho, para aí exercer a sua actividade inspectiva, facto revelador do grau de violência a que, nomeadamente, os estivadores de Leixões têm estado sujeitos, com a criação de um muro de mentiras e de silêncio à sua volta, bem como da importância desta resposta unificada e solidária, com vista à mudança da relação de forças no actual estado da nação portuária.

Em todos os outros portos, Caniçal incluído, a greve decorreu sem incidentes e dentro da normalidade, ou seja, todos os associados do SEAL pararam durante as horas ímpares determinadas no pré-aviso e, consequentemente, pararam totalmente as operações portuárias onde se encontravam colocados, bem como todas as operações dependentes destas.

Pode consultar aqui as fotografias da jornada realizadas em Leixões e no Caniçal (Madeira) que, como referimos, têm a particularidade de marcar o fim de três décadas de apatia sindical e o início de uma nova etapa na luta contra a precariedade, por condições de trabalho dignas e por um futuro contrato colectivo para todos os trabalhadores portuários deste país.

Referir e saudar, a propósito desta jornada de luta, a solidariedade que nos chegou de vários sectores do movimento sindical e social, nomeadamente do IDC – International Dockworkers Council (na pessoa do seu Coordenador Mundial), da FECTRANS, da CONLUTAS (Brasil), do BE (também aqui) e do PCP, e a todos os que individualmente nos fizeram chegar mensagens de apoio.

Por último, queremos repudiar uma vez mais o comportamento de alguma comunicação social portuário-dependente, que insiste na mistificação, na mentira e no papel de servidores de órgão de comunicação institucional dos patrões, por serem incapazes de reproduzir uma notícia sobre o exercício de um direito como se de uma tragédia se tratasse, secundarizando a tragédia das razões que nos fazem lutar, essas sim merecedoras de análise porque, salvo honrosas excepções, poucas vezes os problemas laborais e sindicais são abordados com a seriedade que o assunto exige.