Solidariedade com os motoristas de matérias perigosas e de mercadorias: “Contra a miséria dos salários e a anulação do direito à greve”

Os signatários deste comunicado manifestam o seu apoio aos motoristas de matérias perigosas e mercadorias porque

• Os trabalhadores continuam a auferir salários miseráveis quando os seus congéneres europeus trabalham menos e ganham muito mais;

• Os portugueses continuam a ser obrigados, em nome da austeridade e da produtividade da economia nacional, a cumprir horários de trabalho prolongados, em turnos abusivos, quando nos países da chamada Europa desenvolvida a semana de trabalho tem vindo a ser reduzida;

• A ANTRAM, associação patronal dos motoristas, quer continuar a explorar os motoristas e restantes trabalhadores ao seu serviço com baixos salários e más condições de trabalho; continua a ignorar -tal como o Governo – um conjunto de ilegalidades denunciadas pelos trabalhadores de desrespeito pelo pagamento das contribuições devidas, mantendo parte dos pagamentos de salários através de subsídios que, assim, não são contabilizados para a reforma, acidente ou baixa dos trabalhadores, realidade que saqueia não apenas os motoristas mas também a generalidade dos contribuintes;

• Ninguém pode ficar indiferente aos dias de trabalho extenuantes e riscos associados ao trabalho dos motoristas, estratégico e especializado, pago com um salário base de 700€ mensais, muito perto do salário mínimo, com o qual ninguém consegue sobreviver com dignidade.

• Os objectivos dos motoristas são justos e os meios de exercer o direito à greve são totalmente legítimos e devem ser defendidos por todos os portugueses, ainda mais agora que a definição de serviços mínimos generalizados a 100% constitui, de facto, a anulação do direito à greve.

• O direito à greve está a ser violentamente atacado – como nunca o foi até hoje – com o governo de António Costa a pretender, com a intervenção do exército, das forças policiais e dos bombeiros, destruir um direito fundamental dos trabalhadores, consagrado constitucionalmente, prática que servirá, no futuro, para aplicar a todas as greves que possam ter algum impacto na economia.

• A luta dos motoristas é uma luta por eles próprios, mas também por todos os trabalhadores que se encontram em igual situação de salários de miséria, horários e turnos prolongados, ritmos que levam à exaustão, com as nefastas consequências pessoais e familiares que todos conhecemos.

Por tudo isto, Sindicatos, dirigentes sindicais e membros de Comissões de Trabalhadores, nomeadamente dos sectores dos Portos e Aeroportos, Educação, Comunicação, Indústria Automóvel, da Banca e da Administração Pública, bem como todos aqueles que, individual ou colectivamente, se identifiquem com este Manifesto, expressamos a nossa solidariedade para com a actual luta dos motoristas, conscientes de que, ou construímos um calendário rumo a acções unificadoras das lutas contra esta política de baixos salários e de aniquilação dos direitos laborais, ou dificilmente estaremos em condições de derrotar mais este ataque brutal aos direitos dos trabalhadores.

Organizações Subscritoras: A Casa – Associação de Defesa dos Direitos Laborais; SNPVAC – Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil; SEAL – Sindicato dos Estivadores e da Actividade Logística; STASA – Sindicato dos Trabalhadores do Sector Automóvel; STCC – Sindicato dos Trabalhadores dos Call Center; S.TO.P – Sindicato de Todos os Professores; MUDAR Bancários; STMETRO – Sindicato dos Trabalhadores do Metropolitano de Lisboa; SOS Handling; MPO – Missão Pública Organizada

O Manifesto pode ser subscrito aqui.

5 thoughts on “Solidariedade com os motoristas de matérias perigosas e de mercadorias: “Contra a miséria dos salários e a anulação do direito à greve””

  1. Porque é que o sr. Pardal dos Motoristas não diz quanto é que eles recebem verdadeiramente? Porque é que dizem que seu salário é apenas de 630,00 quando recebem muito mais do que isso ao fim do mês, tentando manipular a opinião pública a seu favor? Porque é que não dizem que em cima do salário base recebem subsidio de alimentação, ajudas de custo e outros que chegam aos 1.800 € por mês e fazendo os descontos obrigatórios ficam ainda com 1200,00 limpos? É uma miséria? Claro que não é muito e têm direito a reclamarem mais salário, mas justifica-se uma greve por tempo indeterminado que prejudica milhões de pessoas e a economia de um país? Perdem a razão toda por causa disso e o sr. Pardal do Sindicato está apenas a utilizar os motoristas para chegar onde pretende pelo seu oportunismo e ambição de chegar a deputado da Nação. Parece ser esse apenas seu objetivo depois do protagonismo alcançado com uma greve selvagem que visa paralisar o país mas o governo está atento e a maioria das pessoas está a seu lado e não ao lado dos que fazem suas reivindicações mas só prejudicam as populações.

    1. Isso é inteligência?
      Eles já explicaram bem o que se passa, mesmo recebendo 1800 só 630 conta para reforma ou baixa e eles querem que seja sobre maior salário, muitas ajudas de custo são dadas para não euferirem cotização social, só o Sr que de inteligente não tem nada, ainda não compreendeu.

    2. Se você tranalhar 14 a 15 horas por dia e o seu patrão lhe entregar 1500 euros ao fim do mês, mas só lhe fizer descontos do ordenado mínimo, quando você adoecer ou se reformar recebe o mínimo de subsídio de doença ou de reforma.
      O patrão além de o explorar, foge aos impostos e lesa o país que somos todos. Deu para entender?
      Mas atenção que não são todos os motoristas que recebem esses 1900.00 euros, são os que fazem internacional que chegam a estar 1 ou 2 semanas longe de casa. Depois da viagem estão 1 dia ou 1 dia e meio e já têm que viajar novamente. Isso é ser bem pago?

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